06/09/2026
SER PAI...
Quem trabalha no ramo da restauração e do comércio sabe perfeitamente: isto não é um emprego, é um sacerdócio.
A Casa Pardal exige o corpo, a alma e, às vezes, até o resto do juízo que nos sobra. Por isso, quando decidi meter-me na autocaravana com a Diva e fazer-nos à estrada para dar umas voltas pelo país, ia com aquele apertozinho no peito que qualquer dono de negócio tem.
Mas a Matilde virou-se para mim e disse: "Vai descansado, pai. Eu assumo a Casa Pardal."
Ora bem, vou usar um termo um bocado matarruano, mas não há outra forma de dizer isto: a minha filha pegou no touro pelos cornos e, meus amigos, o touro nem soube de que terra era.
Tratar de toda a produção, manobrar a máquina e manter o serviço ao público a rolar sem um único sobressalto... Olhem que isto não é para qualquer um. É preciso ter muita fibra.
O meu subconsciente está aqui a dar pulinhos de alegria e o coração de pai nem cabe no peito. Que orgulho gigante nesta miúda.
Ela odeia, mas odeia mesmo, que lhe tirem fotografias. Daí esta linda cara de frete na foto. Só que a Matilde esquece-se de um pequeno detalhe: para um pai babado e orgulhoso, qualquer foto é uma obra de arte. Podia estar de cabeça para baixo a fazer o pino que ia parar à internet de qualquer maneira!
Obrigado, Matilde.
A Casa Pardal não podia estar em melhores mãos!