02/05/2026
As crianças de hoje tem mimo a mais, diz aquele que sobreviveu a duas palmadas e um copo de leite antes de dormir.
Adormecem na cama dos pais, dão abraços e dizem amo-te com demasiada facilidade…
É curioso. O mimo, essa entidade quase mitológica, parece ter crescido exponencialmente, ao contrário da paciência adulta, que encolheu mais rápido que a duração dos salários em Portugal.
Queridos seres adultos NÃO HÁ MIMO A MAIS, HÁ REGRAS A MENOS. E não, não regras daquelas que vinham com chinelo voador e silêncio obrigatório. Falo de limites básicos, coerentes, daqueles que não mudam consoante o dia de trabalho do dito adulto.
“O meu filho tem uma personalidade muito forte” que traduzido é o meu filho “manda em tudo o que quer” porque alguém deixou de orientar… faz birras porque ninguém lhe explicou, com calma, repetição e alguma firmeza, que o mundo não gira ao ritmo dos seus caprichos. Não é excesso de amor meus caros é ausência de direção.
Confundimos escutar com ceder, respeitar com permitir tudo, acolher com evitar qualquer frustração. E depois espantamo-nos: “ai, estas crianças…”. Pois. Estas crianças que crescem a negociar o que nunca deveria estar em negociação.
Dar limites não é falta de afeto. É, na verdade, uma das formas mais exigentes de amar. Dá trabalho, cansa, repete-se mil vezes. Não rende vídeos fofos nem aplausos imediatos. Mas constrói algo raro: adultos que sabem viver com os outros e não apenas consigo próprios.
Portanto, talvez o problema não seja o tal “mimo a mais”. Talvez seja o adulto a menos.
Mas claro, isso já dá mais trabalho do que culpar a geração seguinte.