17/12/2015
AÇÃO DA FARINHA DE MARACUJÁ DENTRO DO ORGANISMO
O maracujá (Passiflora incarnata) é uma fruta tropical ácida, muito refrescante e bastante conhecida como “um calmante natural”.
Nos Registros da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária: o órgão do Ministério da Saúde responsável por controlar, regulamentar e fiscalizar produtos e serviços que envolvam riscos à Saúde Pública), o maracujá consta como um fitoterápico com propriedades ansiolítica, sedativa e calmante, em casos leves de insônia, irritação e ansiedade.
Do ponto de vista Nutricional, o Maracujá é considerado um alimento funcional: aquele que além de alimentar e nutrir o corpo produz efeitos fisiológicos que protegem a Saúde do organismo, ao prevenir o desenvolvimento de doenças crônicas.
Portanto, além se ser nutritivo e produzir sucos, geleias, mousses, drinks, sorvetes, bolos, recheios e molhos deliciosos, o maracujá possui ação antioxidante, combate a anemia, a acidez e os radicais livres, previne o envelhecimento precoce do organismo, e contribui para a saúde de olhos e ossos, além de possuir efeitos calmante, ansiolítico, diurético e analgésico.
PRINCIPAIS NUTRIENTES ENCONTRADOS NO MARACUJÁ
1. Vitaminas: A (importante para a saúde da pele e dos olhos, e fundamental no combate às infecções e aos radicais livres); C (antioxidante, combate o envelhecimento, importante para a pele e a imunidade); B1 (atua no metabolismo dos açúcares, sendo muito importante para a contração muscular e o bom funcionamento do coração); B2 (fundamental para a saúde do sistema nervoso, da boca e dos olhos) e B3 (importante no metabolismo energético);
2. Minerais: Magnésio, Cobre, Manganês, Ferro e Cálcio, sendo, por isso, bastante importante no tratamento das anemias, no aumento da disposição (“dá pique”) e na contração muscular, além de melhorar a memória, a oxigenação das células e a circulação do sangue;
3. Pectina, presente em sua casca: uma fibra solúvel com propriedades funcionais, que protege a mucosa do estômago, combate a obstipação (intestino preso) e, comprovadamente, auxilia no controle da glicose sanguínea (glicemia) e do colesterol, além de evitar o acúmulo de gorduras na região abdominal.
A casca do Maracujá, além de possuir os mesmos nutrientes de sua polpa contém grande quantidade de pectina. A partir dessa casca, pode-se produzir uma farinha, que constitui uma das grandes riquezas do maracujá: a Farinha de Maracujá.
PORQUE ESTA FARINHA É BLOQUEADORA DE GORDURA?
A Farinha de Maracujá chegou ao mercado com “fama de ter o poder” de baixar as taxas de açúcar no sangue, mas, aos poucos, a farinha feita com a casca do maracujá também se revelou um excelente bloqueador de gordura. Ou seja, impede que o organismo absorva parte da gordura presente nos alimentos ingeridos.
A Pectina, encontrada em grande quantidade na parte branca da casca do Maracujá é a substância responsável pelo poder bloqueador de gordura de sua Farinha.
Um Estudo realizado pelo Químico e Pesquisador Armando Sabaa Srur da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) afirma que a farinha feita com a casca do maracujá, por ser rica em pectina, age para: reduzir o açúcar do sangue, dificultar a absorção de gordura pelo organismo, aumentar a saciedade e eliminar as toxinas do corpo.
COMO A FARINHA DE MARACUJÁ AGE NO ORGANISMO?
No estômago, a Pectina se transforma em uma espécie de “gel não digerível”, que produz sensação de saciedade e “engloba” as moléculas de gordura, colesterol e glicose. O gel formado pela pectina do Maracujá “leva” boa parte da gordura e do colesterol ingeridos na alimentação, para as fezes, fazendo com que, assim, sejam eliminados do corpo. Como consequências diretas, da presença e ação desse gel no organismo, observam-se:
1. Redução da Glicemia - a pectina reduz o índice glicêmico da refeição ao “englobar a glicose ingerida” = diminuição da velocidade de entrada da glicose no sangue, o que irá auxiliar no controle dos níveis de açúcar (glicose) no sangue;
2. Redução da absorção da gordura ingerida durante a refeição - a pectina “engloba parte da gordura consumida na refeição” reduzindo sua absorção, o que irá auxiliar no controle do perfil lipídico, por controlar a absorção dos triglicerídios e do “mau colesterol” ingeridos na refeição;
3. Aumento da excreção de sais biliares - a pectina “engloba” as moléculas dos sais biliares, levando-os para as fezes, o que “obriga o fígado a gastar colesterol endógeno” (colesterol do próprio corpo) para produzir novos sais biliares (necessários à digestão das gorduras);
4. Aumento da saciedade após a refeição - por ser uma fibra solúvel, a pectina absorve água (“incha” e ocupa espaço no estômago), o que irá contribuir para controlar o apetite e a ingestão de alimentos, auxiliando na manutenção do peso ideal e no emagrecimento (além de favorecer o funcionamento intestinal); e
5. Eliminação de toxinas – a pectina promove uma “faxina no organismo”, ao “englobar”, também, as toxinas (tanto as advindas da alimentação, quanto àquelas produzidas pelo metabolismo), que também são “levadas para as fezes” e eliminadas do corpo. É importante lembrar que o acúmulo de toxinas no organismo, sobrecarrega o fígado, prejudica o funcionamento de todos os órgãos e, dessa forma, desequilibra e “bloqueia” o metabolismo. Isto é "faz a dieta emperrar” e ajuda o corpo a ganhar peso! Na linguagem popular: “estou engordando só de olhar para a comida”!
Logo, o uso regular da Farinha de Maracujá pode auxiliar:
- no controle glicêmico, protegendo contra o Diabetes Mellitus;
- na manutenção de um bom perfil lipídico, protegendo contra as Dislipidemias (alterações de triglicerídios e colesterol, sanguíneos);
- na redução do apetite (controle do peso corporal), protegendo contra a Obesidade;
- na eliminação de toxinas, favorecendo a metabolização (auxílio ao fígado), protegendo contra a Acidif**ação do Sangue e Intoxicação Corporal.
COMO FAZER A FARINHA DE MARACUJÁ EM CASA
Há várias opções de farinha da casca do maracujá feitas por laboratórios farmacêuticos, à venda em farmácias e lojas de produtos naturais. Muito cuidado: não se deve comprar o produto em “saquinhos sem identif**ação”, barracas de rua ou feiras livres!
Aqueles que desejarem poderão preparar a Farinha de Maracujá em casa, usando, de preferência, maracujá orgânico, sem agrotóxico, conforme explicado a seguir:
1. Lavar sete maracujás orgânicos;
2. Mergulhá-los em uma mistura de água com bicarbonato de sódio, durante 20 minutos, usando 1 colher (sopa) do sal por litro de água;
3. A seguir, passá-los novamente pela água corrente;
4. Cortar os maracujás, retirar a polpa (congelar para fazer suas receitas);
5. Cortar as cascas, colocar em uma assadeira e levar ao forno médio por, cerca de, 30 minutos, ou até que fiquem bem sequinhas;
6. Retirar do forno, deixar esfriar, colocar no processador (ou liquidif**ador) e bater até obter uma farinha;
7. Passá-la por uma peneira grossa e guardar em recipiente fechado.
DICAS DE USO E BENEFÍCIOS DO CONSUMO DESTA FARINHA
1. Consumir, diariamente, 1 colher (sopa = 10 gramas) de 10 a 15 minutos antes das três principais refeições (desjejum, almoço e jantar) - a pectina irá absorver água, produzindo três efeitos imediatos: diminuição do apetite, o que irá fazer com que se reduza a ingestão de alimentos, além de aumentar a sensação de saciedade após cada refeição;
2. Os efeitos metabólicos do consumo desta farinha serão: retardo da velocidade de absorção da glicose produzida em cada refeição (grande auxílio para os diabéticos e todos que necessitam de controle glicêmico); bloqueio dos sais biliares, o que garante redução dos níveis sanguíneos do “mau colesterol” (grande auxílio para os dislipidêmicos); bloqueio de toxinas, o que torna o metabolismo mais ágil e eficiente, por auxiliar a função hepática (grande auxílio para manter o corpo alcalinizado e desintoxicado); e a redução do apetite, por aumentar o tempo de saciedade (grande auxílio para obesos e àqueles que “brigam com a balança”);
3. O ideal é variar o modo de acrescentá-la no cardápio: dissolvendo-a em água, sucos verdes com limão, iogurtes, saladas, sopas, omeletes, cozidos de hortaliças, etc.
4. Para facilitar a ação desintoxicante da pectina, é importante aumentar a ingestão de água: no mínimo 2 litros por dia;
5. Mas, atenção: não adianta usar a Farinha de Maracujá e abusar de alimentos gordurosos e repletos de amidos e açúcar!
6. O ideal: começar a usar a farinha de maracujá e aproveitar para cortar alguns excessos à mesa e fazer algum tipo de atividade física.
Afinal, para aqueles que não chegaram até aqui "tão em forma quanto gostariam", ainda dá tempo de “entrar em ação” para perceber como é possível melhorar já e iniciar 2016 diferente!
Maria das Graças Teixeira
Química e Nutricionista Clínica Funcional
Diretora da MGT Nutri.
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