31/01/2022
Bolo de rolo não é rocambole. Saiba a história desse patrimônio de Pernambuco, de origem a sabores.
Pronto, de posse da informação de que bolo de rolo não é rocambole você já pode ir a Pernambuco e não cometer a imprudência de comparar o bolo-símbolo, patrimônio imaterial do estado, com qualquer outra massa de bolo ordinariamente enrolada. Você pode achar exagero, coisa de quem está fazendo doce. E é. O orgulho do pernambucano com a sua iguaria é grande e vem de longe, desde o tempo em que a receita teve origem, época em que a região era a maior produtora de açúcar em todo o mundo, entre os séculos 16 e 17.
O açúcar moldou o paladar nordestino naquele período, atravessou gerações em receitas guardadas como um segredo. Caso do bolo de rolo, variação para o colchão de noiva, um tipo de doce português recheado de amêndoas. Por aqui, a ausência do fruto seco levou as senhoras de engenho a trocá-lo pela mistura de água, açúcar e goiaba, fruta que dava aos borbotões — sim, eram as próprias sinhás que preparavam o bolo, maneira encontrada por elas para resguardar a receita, que passava de mãe para filha.
Por trás da aparente simplicidade sugerida pelos ingredientes, o bolo de rolo exige cuidado especial no preparo. O segredo está na junção das finas camadas de massa e de goiabada antes de ganhar uma generosa cobertura de açúcar e ser enrolado. É isso que faz ele ter aquele inconfundível desenho em espiral a cada fatia cortada, como mostra a imagem.
Diante da popularidade do bolo de rolo, novos sabores foram criados. Hoje o bolo de rolo pode ser encontrado com massa de chocolate e com recheios variados: doce de leite, chocolate derretido, creme de morango, creme de ameixa, Nutella, chocolate branco. Também costuma ser servido com queijo do reino ou sorvete de creme.
Pela Lei 13.436 de 2008, o bolo de rolo foi reconhecido como patrimônio imaterial de Pernambuco.
E aí, gostou? 😍