06/07/2022
Tem memoria afetiva presente em todo cotidiano, ainda mais quando se fala de bolo. Aprendi a preparar as receitas ensinadas por minha mãe e tias por volta dos 12 anos. Não tinha mágica, era bater bem os ovos e açúcar para tirar todo o cheiro e quebrar os cristais de açúcar, seguir cada recomendação com afinco e atenção. Acompanhar seu assar lento e sentir seu aroma saido do forno.
Era um apaixonado pela delicadeza da massa, sua textura e sabor eram capazes de me fazer sorrir a cada pedaço deitado na língua e acompanhado por um gole de café. Naquele momento pude entender que não haveria casamento melhor, era a união perfeita de açúcar e manteiga com o tanino do café. Seus sabores e suas diferenças despertavam na alma o bem estar, era como terapia mas sem palavras.
Hoje, a cada bolo saído do forno, me recordo desses momentos. Sem esquecer do maior ensinamento: "envolva a farinha no creme de ovos, açúcar e manteiga com amor. Sem ele o bolo há de crescer".