20/09/2026
Memória também tem sabor.
20/9! Hoje é aniversário da minha madrinha.
Ela completaria 86 anos!
E, quando penso nela, percebo que algumas pessoas continuam morando na gente de jeitos muito particulares: numa receita, num gosto, numa lembrança que aparece sem avisar. Na alegria e emoção o que canto um samba-enredo.
Minha madrinha gostava de caipirinha. Foi ela quem me ensinou a fazer batata calabresa. Levava salgadinhos para a gente assistir aos desfiles das escolas de samba.
É curioso como são justamente essas coisas pequenas que permanecem.
Hoje, fazer uma batata calabresa, lembrar de uma caipirinha ou assistir a um desfile são formas de manter ela viva em mim.
A saudade aparece, mas vem acompanhada de riso, de afeto e da alegria de ter vivido aqueles momentos.
Talvez seja por isso que eu acredite tanto na força da comida.
Porque comida não alimenta só o corpo. Ela guarda histórias. Guarda pessoas. Guarda os encontros que tivemos e os que ainda podemos criar.
A memória gustativa é uma dessas formas de continuidade. É o que faz uma receita atravessar o tempo, chegar às mãos de outra pessoa e carregar consigo um pedaço de quem ensinou.
E lembrar também pode ser celebrar.
Celebrar a vida, as histórias, as pessoas que nos formaram. Sentar à mesa, preparar uma comida, dividir um bolo, brindar, rir e seguir criando novas memórias a partir das que recebemos.
Talvez seja esse o jeito mais bonito de não deixar uma história terminar: continuar contando, cozinhando, compartilhando e celebrando.
Na cozinha, memória vira alimento.
Na mesa, vira encontro.
E, quando a gente celebra, ela continua viva.