25/11/2025
25/11 Dia nacional da baiana de acarajé!
O reconhecimento desse ofício é primordial.
O tabuleiro de acarajé foi e segue sendo caminho de autonomia, agência, emancipação para mulheres negras na diáspora.
Como também é forma de cuidado, afeto, alimento e acalanto.
Foi e é subsidio e sustento para famílias inteiras.
As baianas de acarajé são consideradas, desde 2004, Patrimônio da Humanidade pelo Instituto do Patrimônio e Artístico Nacional (IPHAN). Além deste título, em 2012, as baianas ainda foram reconhecidas como Patrimônio Imaterial da Bahia e Patrimônio Cultural de Salvador.
Mas foi aqui no Rio de Janeiro que Mainha, Ângela Maria Marques de Almeida ( mais conhecida como
Baiana de Santa Teresa) fez sua vida.
Chegou de Salvador nova, trabalhou como domésticas, como datilógrafa entrou outros trabalhos. Mas foi com com seu tabuleiro que fez sua vida e dele fez seu sustendo.
Foi com a venda das bolas de fogo - akara-jé - que dona Ângela me criou, pagou as contas, a escola, as dispensas, obras e etc.
Eu sou cria de tabuleiro, minha memória de infância tem cheiro e gosto de dendê, aprendi a andar na rua segurando a barra de sua anágua de Mainha enquanto ela mantinha as duas mãos ocupadas carregando seus os mocós (bolsa de palhada ) com os quitutes e apetrechos do tabuleiro.
O mercar faz parte da história da nossa família, o alimento como meio de sustento é uma das nossas maiores heranças, junto as receitas e a coragem de encarar a vida de frente e sempre respeitando a rua seus segredos.
Mainha já vendeu acarajé em muitos pontos no Rio de Janeiro, mas seu pouso foi na esquina do bar do Gomes, em Santa Teresa.
Já foi capa de revista, já apareceu em
Jornal, em exposição, repostagem tudo a partir de seu ofício de baiana.
Um salve da bonde bolos à todas as baianas de acarajé ruas a fora.
E meu muito obrigada a minha mãe.